sábado, 24 de dezembro de 2011

Como evitar a micose no verão?



É no verão, quando as crianças têm oportunidade de aproveitar piscinas e praias, que podem surgir pequenas manchas na pele. Fiquem atentos, porque estas manchas podem ser micoses.

As micoses da pele, também chamadas de "tineas" ou “tinhas”, são infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e também os cabelos. Os fungos se alimentam de queratina, uma proteína presente na superfície da pele, dos cabelos e das unhas. Eles estão espalhados no ambiente em toda parte podendo ser encontrados no solo e nos pelos de animais domésticos. Até mesmo na superfície da nossa pele existem fungos convivendo "pacificamente", sem causar qualquer doença. Mas quando estes fungos encontram condições favoráveis ao seu crescimento, como: calor e umidade, eles podem se proliferar e assim a micose começa a se manifestar.

Conforme a área acometida, a micose pode ter diferentes nomes. Entre os dedos do pé, por exemplo, a micose é conhecida como "frieira" ou “pé de atleta”. Sua ocorrência neste local é freqüente em pessoas que não enxugam os pés adequadamente ou que usam sapatos fechados por longos períodos. A dificuldade na absorção do suor deixa os pés úmidos e o calor mantido dentro do sapato associado à umidade favorecem a proliferação dos fungos.

Outro tipo comum de manifestação da micose é a que ocorre na pele, em diversas regiões do corpo, sobretudo na virilha, nas mãos, na face e nas dobrinhas de pele. Nestas áreas, surgem manchas avermelhadas, de tamanhos variados, que têm a borda bem nítida. Com freqüência essas lesões podem descamar e causar muita coceira.

No couro cabeludo, a micose é conhecida popularmente como "pelada". Nesta região, a doença aparece em placas, onde há perda de cabelo e descamação. A "pelada" pode surgir na infância, após contato com animais que têm o fungo ou até mesmo com outros amiguinhos que tenham a doença. Se não for tratada, a "pelada" pode evoluir, causando “falhas”, com área sem cabelos.

Nas unhas, a chamada onicomicose provoca um espessamento progressivo e as unhas ficam opacas, porosas e com tonalidades amareladas.

A candidíase é um tipo de micose, que quando afeta a boca do bebê é chamada de monilíase oral ou simplesmente mais conhecida como “sapinho”. . A candidíase também pode aparecer em crianças que usam fraldas, causando a monilíase perineal.

O diagnóstico das micoses superficiais não é difícil. No entanto, o problema pode ser confundido com alergias e outras doenças de pele. Para comprovar a infecção, o dermatologista pode solicitar um exame em que as manchas são raspadas e analisadas para verificar a presença e o tipo do fungo.

O tratamento da micose depende do local atingido, da extensão e das características de cada caso. O tratamento pode ser tópico (com cremes, loções, xampus, sprays e esmaltes antifúngicos) ou sistêmicos (medicamentos dados por boca).

É importante lembrar que quando houver suspeita de micose, não se deve usar qualquer creme ou pomada antes de consultar um médico, porque o uso destes produtos pode mascarar características importantes e a avaliação do especialista é fundamental para o diagnóstico correto e para o sucesso do tratamento.

Abaixo estão alguns cuidados para manter esta infecção longe das crianças e aproveitar ao máximo o verão:


  • Devemos secar muito bem a pele da criança após o banho, principalmente as dobrinhas, as axilas, as virilhas e entre os dedinhos dos pés. .
  • Trocar as fraldas com freqüência evita a monilíase perineal.
  • Para as calcinhas, cuequinhas e meias, prefira os tecidos naturais como algodão.
  • Não é recomendável compartilhar toalhas, meias, sapatinhos e peças de roupas, assim como cortador de unhas, além de chupetas, mordedores e mamadeiras.
  • Tênis e sapatos muito fechados favorecem a multiplicação dos fungos. No verão, sempre que possível, opte pelas sandálias e ao usar tênis, variar sempre, para não usar o mesmo par durante dias seguidos.
  • As crianças que já andam devem usar chinelinhos de borracha ao tomar banho nos clubes.
  • Ao sair da praia e piscina, não deixe que as crianças fiquem muito tempo com as sunguinhas e biquínis úmidos.
  • Observe a pele e o pelo de seus animais de estimação (cães e gatos). Qualquer alteração como descamação ou falhas no pelo não deixe de levá-los ao veterinário.






quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal!!

Ilustração: Claudia Marianno
Nós do pediatrio gostaríamos de agradecer aos nossos pacientes, papais, mamães e todos que nos acompanharam durante este ano. Estamos muito felizes por poder compartilhar informações com aqueles que amam e cuidam das nossas crianças, cujo bem estar é a grande motivação das nossas vidas profissionais.

Desejamos a vocês um Feliz Natal, com muito amor, paz, esperança e muita saúde.

Um grande abraço,

Ivani, Lídia e Janete


domingo, 18 de dezembro de 2011

Prevenindo acidentes na hora do banho e da higiene

Ilustração: Claudia Marianno

A maior parte das crianças adora o momento do banho. Alguns bebês, quando muito novinhos, podem ficar um pouco chorosos, mas aos poucos começam a apreciar muito a hora do banho. Há alguns cuidados que precisam ser tomados para prevenir acidentes durante o momento da higiene das crianças.



EVITANDO QUEDAS DA BANHEIRA E DO TROCADOR:

-A banheira tem de ser posicionada em local firme e estável, para que não ofereça perigo de cair.

-Durante o banho é preciso segurar cuidadosamente o bebê para evitar escorregões e submersão.

-O bebê não pode ficar sozinho em hipótese alguma, nem na banheira, nem no trocador, por isso, todo o material a ser utilizado na sua higiene e troca, como sabonete, xampu, toalhas, roupas, devem ser previamente preparados e mantidos ao alcance da mão.

-Para crianças maiores, que já tomam banho no chuveiro, os riscos de quedas podem ser evitados com o uso de tapetes de borracha dentro e fora do box.

EVITANDO QUEIMADURAS NO BANHO:

-É importante verificar a temperatura da água antes de colocar a criança na banheira. Pode-se testar com a região do cotovelo ou dorso da mão.

- Em caso de necessidade de misturar mais água fria ou quente, o acréscimo deve ser feito antes de o bebê entrar na banheira.


EVITANDO ACIDENTES COM MATERIAL DE HIGIENE PESSOAL:

- As hastes flexíveis com extremidades de algodão, mais conhecidas como cotonetes, são destinadas para secar a parte externa do ouvido, não devendo ser introduzidas no conduto auditivo, pelo risco de ferir internamente o ouvido e até mesmo perfurar o tímpano.

-Cotonetes, talcos, óleos, xampus, cremes, loções, entre outros produtos, têm de ser mantidos longe do alcance das crianças, uma vez, que oferecem risco de perfurações no ouvido e no nariz, de ferimentos oculares e de aspiração e ingestão acidental destes materiais.


EVITANDO OUTROS ACIDENTES NO BANHEIRO:

- O vaso sanitário deve ficar fechado para evitar, além de afogamento, a ingestão ou a manipulação da água no local.






quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Crocs X escada rolante



Nesta semana presenciei uma cena no shopping que me impressionou: uma criança de aproximadamente 4 anos , ao descer da escada rolante, prendeu seu sapato Crocs nos “dentes” do final da escada. O sapato rasgou e, por sorte, o dedo não ficou ferido, porque a mãe conseguiu puxar a criança antes.

Voltando para casa, procurei na internet relatos sobre acidentes com Crocs em escadas rolantes. Qual não foi minha surpresa! O número de acidentes com este tipo de calçado em escadas rolantes é grande, inclusive com o relato de amputação do dedo de uma criança de dois anos de idade em Singapura, que estava utilizando um calçado de borracha do tipo Crocs. No Estado de Virgínia, nos Estados Unidos, uma criança de quatro anos perdeu a unha do dedo do pé quando sua mãe foi tentar liberar seu pé que havia ficado preso com seu Crocs na escada rolante.

A explicação para as ocorrências com este tipo de calçado se baseia em duas características principais: sua flexibilidade e sua aderência.

Os locais onde ocorrem os acidentes são os “dentes” no topo ou no final da escada rolante, bem como no espaço entre o degrau e a lateral da escada.

Nos últimos anos, o número de acidentes envolvendo o uso de sapatos e sandálias de borracha macia aumentaram muito, segundo o jornal The Washington Post.

Especialistas em segurança em escadas rolantes e elevadores recomendam que, para não prender seu sapato (e, principalmente, o das crianças) você deve:


  • Certificar-se da direção que a escada rolante está se movendo
  • Manter seus pés longe das laterais
  • Não encostar os pés nos dentes da escada, quando chegar ao final
  • Portanto, quando estiver com sua criança usando Crocs ou qualquer outro sapato de borracha macia, tome cuidado na escada rolante, ou prefira o elevador.


A matéria do Washington Post está aqui neste link, caso queira ler os detalhes. http://voices.washingtonpost.com/checkup/2008/04/wearing_crocs_stay_on_your_toe.html







domingo, 11 de dezembro de 2011

Crianças roncam?

Ilustração: Claudia Marianno

Crianças podem roncar algumas vezes e isto não significa que exista uma patologia associada causando este sintoma. Porém, a frequência e a forma como este ronco se apresenta, acaba mostrando que talvez a criança esteja sofrendo de um problema chamado Apneia Obstrutiva do Sono.

Apneia significa ausência de respiração. Quando uma criança tem apneia do sono, há uma grande dificuldade para respirar quando ela adormece. Sua musculatura relaxa e a via aérea fica parcial ou totalmente bloqueada pelas amígdalas e adenóides. Isto se torna perceptível através de um ronco alto e pausas na respiração durante o sono. A criança respira pela boca e baba no travesseiro. Muitas dormem com travesseiros altos. Ao acordarem, frequentemente ainda têm sono, pois descansaram mal. Podem apresentar dor de cabeça pela manhã e, muitas vezes têm sono durante o dia. Seu rendimento escolar muitas vezes cai, devido à sonolência.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Prevenindo acidentes fora de casa

Passear com os filhos é muito saudável e divertido. Para que todos, pais e crianças, aproveitem ao máximo estes momentos, é importante tomar algumas medidas preventivas para evitar possíveis acidentes fora de casa.


NOS PARQUES

É importante conhecer o parque onde a criança será levada para brincar. As condições em que se encontram os brinquedos devem ser bem observadas. Não podem estar enferrujados, ou quebrados ou com superfície irregular sob o risco de causar ferimentos. A instalação do parquinho deve ser sobre superfície que absorva impacto em caso de queda, como piso emborrachado, gramado ou areia fina. Outra regra importante é somente deixar as crianças brincarem nos brinquedos destinados a sua faixa etária. Crianças pequenas que brincam em equipamentos destinados a crianças maiores têm risco aumentado de sofrerem algum tipo de acidente. Acessório como cachecol, capuz amarrado no pescoço, cordões ou colares devem ser retirados na hora da brincadeira para evitar acidentes com estrangulamento. Nunca é demais lembrar que as crianças devem estar sob constante supervisão de adultos durante as brincadeiras nos parques.















COM BICICLETAS, PATINS, PATINETES E SKATES

As crianças se encantam quando ganham a primeira bicicleta. Mais do que brinquedos, as bicicletas, patins, patinetes e skates representam independência para os pequenos. Mas há muitos cuidados a serem tomados para que estes momentos sobre rodinhas sejam aproveitados com alegria. Um dos maiores perigos nestas situações é o traumatismo craniano, algumas vezes com fratura de crânio. O capacete é a melhor forma de prevenir lesões e traumas na cabeça. O seu tamanho precisa ser adequado para a criança, não podendo ficar solto e balançando de um lado para o outro. Os adultos devem colocar o capacete bem no centro da cabeça, com as tiras bem ajustadas e afiveladas sob o queixo. A criança deve ser incentivada a sempre usar este equipamento de segurança quando estiver sobre bicicletas, patins, patinetes ou skates. Além disso, os calçados devem ser do tipo fechados e sem cadarços soltos. Se estiver sobre bicicleta, os pés da criança devem alcançar o chão enquanto ela estiver sentada sobre o assento. A escolha de um local seguro para estas brincadeiras também é muito importante. Prefira parques, ciclovias e praças que estejam fora do fluxo de automóveis e longe de ruas, rodovias, piscinas, lagos, sacadas e lajes.





NA PRAIA OU PISCINA

As crianças devem estar acompanhadas de adultos o tempo todo enquanto estiverem próximas de piscinas, lagos, praias, rios e cachoeiras. Além do risco de afogamento, há risco de quedas e traumas diversos. Por este motivo, mesmo para as crianças que já aprenderam a nadar a supervisão deve ser constante e o uso de bóias de braços, ou coletes salva-vidas é indicado, mas não dispensam a supervisão constante dos adultos. Caso a piscina seja própria, a presença de uma cerca ao redor previne que as crianças pequenas tenham acesso a ela. Mesmo locais rasos representam risco de afogamento. Outro detalhe importante é prestar atenção ao sistema de sucção, pois a água da piscina está em constante filtração, ou seja, a água é “puxada” para o filtro através de orifícios espalhados nas paredes e no fundo da piscina. Estes orifícios que variam em dimensão, podem sugar os cabelos, ou outras partes do corpo das crianças, como os pés ou os braços, mantendo-as submersas e causando afogamento. Recomenda-se prender os cabelos longos com touca e ficar junto com as crianças dentro da água o tempo todo.





NOS SHOPPINGS

As crianças que caminham e já não ficam no colo ou no carrinho durante os passeios ao shopping, devem ficar constantemente junto aos adultos e de mãos dadas. Nas escadas rolantes, é preciso prestar atenção para que cadarços de calçados ou barras de calça muito compridas se prendam às escadas.





NA RUA

Para passear na rua, as crianças devem estar sempre de mãos dadas, ou no colo ou no carrinho e nunca andando sozinhas. Para atravessar as ruas, obedecer às regras de trânsito para pedestres, atravessando somente nas faixas. Isto não é apenas mais seguro, como também é educativo para os pequenos, que aprendem muito com a observação, por isso dar o exemplo é essencial. Para evitar atropelamentos, nunca atravesse por trás de carros, árvores ou postes. Sempre é bom ensinar as crianças a olhar para os dois lados antes de atravessar a rua e continuar olhando para os dois lados enquanto estiver atravessando, mesmo que o semáforo esteja aberto para pedestres e mesmo que a rua seja de mão-única. Saídas de estacionamentos ou garagens são locais perigosos, principalmente quando o veículo está dando ré, pois a altura das crianças pequenas é o ponto cego do motorista.












segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Piscina e dor de ouvido




O verão está chegando e as crianças começam a frequentar as piscinas. E quando se diz frequentar, se diz passar muitas horas na água, pulando, nadando e mergulhando.

Os ouvidos estão preparados para estes excessos? Na verdade, não.

O conduto auditivo externo, ou seja, o canal que se inicia na entrada do ouvido e vai até a membrana timpânica, é revestido de pele e tem a cera (ou cerume) como seu grande protetor. Quando as crianças mergulham horas e horas no verão, a cera do ouvido sai e a pele do conduto auditivo fica vulnerável. Com isto, as bactérias proliferam e causam uma infecção e o conduto auditivo externo fica inflamado e extremamente dolorido. Tão dolorido, que é difícil até encostar na orelha. A criança chora muito de dor, mas não costuma apresentar febre. Também não se observa nenhuma secreção saindo pelo conduto auditivo. Ou seja, basicamente há muita dor.

Nestes casos, utilizam-se analgésicos, gotas otológicas com antibióticos e antiinflamatórios e, algumas vezes, antibióticos por via oral.

Mas, o que fazer para prevenir as otites externas causadas por água da piscina? Fora do Brasil, há medicamentos que são pingados após a criança deixar a piscina. Um exemplo é o Little Ears by Little Remedies, que seca a água dos ouvidos retida após a natação e os mergulhos.



Porém, no Brasil, infelizmente não dispomos deste produto e de nenhum outro similar. Pode-se utilizar uma fórmula caseira que também funciona para secar a água do ouvido: Misture partes iguais de álcool 70° e vinagre em um vidro vazio com conta-gotas e pingue 4 a 5 gotas em cada ouvido após a criança sair da piscina. O álcool provoca a evaporação da água retida e o vinagre acidifica o ph do conduto auditivo, impedindo a proliferação de bactérias. 
Outra opção é utilizar álcool boricado a 3 %, também pingando 4 a 5 gotas em cada ouvido, após sair da água. Funciona muito bem evitando as otites externas após piscina.






quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Icterícia do bebê





Icterícia do bebê é a cor amarelada que aparece na pele dos recém-nascidos na primeira semana de vida. Algumas vezes, observamos que a esclera (parte branca dos olhos) e a parte interna da boca também ficam com esta cor amarelada. A maioria dos bebês recém-nascidos tem icterícia, alguns de grau muito leve, quase imperceptível e outros de grau mais intenso.


Os bebês normais têm a chamada icterícia fisiológica que tem este nome por ser considerada um fenômeno natural no desenvolvimento dos bebês. Ela é o resultado da combinação de dois fatores principais: uma maior destruição de células vermelhas do sangue após o nascimento e uma imaturidade do fígado para metabolizar (limpar) os resíduos desta destruição. Estes resíduos têm a cor amarelada (são as bilirrubinas) e acabam se depositando na pele e nas mucosas do bebê.

Quando as bilirrubinas estão em níveis muito altos, elas podem se depositar não só na pele, mas também no sistema nervoso do bebê, causando problemas neurológicos à criança.

Para evitar que os níveis de bilirrubinas aumentem muito, a criança é colocada no banho de luz, pois a incidência da luz na pele do bebê ajuda na metabolização das bilirrubinas que estão na pele.

Há situações em que a icterícia pode ser mais intensa, por exemplo, nos casos de bebês prematuros ou com incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o bebê, por exemplo quando a mãe é Rh- e o bebê Rh+. Nestes casos, pode ser necessário que o bebê fique por um tempo mais prolongado no banho de luz e, em casos raros e muito graves, o pediatra fará a troca de todo o sangue do bebê para retirar as bilirrubinas que estão circulando.

Porém, na grande maioria dos casos, a icterícia desaparece nos primeiros 15 dias de vida, sem quaisquer complicações.






quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Desidratação





A desidratação resulta da perda excessiva de água pelo organismo. Todos nós temos a maior parte do nosso corpo composto de água. Cerca de 60% do peso de um adulto é atribuído a líquidos. Na criança, esta quantidade é ainda maior e aproximadamente 75% do seu peso corporal corresponde à água. As crianças menores têm maior risco de desidratar, pois até os 4 anos de idade os seus mecanismos de retenção de líquido no organismo ainda estão em desenvolvimento. Por este motivo, elas são mais suscetíveis à desidratação.

As principais causas de desidratação na infância são: os distúrbios gastrintestinais, como a diarréia, que é uma das principais causas de desidratação, os vômitos, que aceleram a perda de líquidos, a febre, que favorece a perda de líquidos pela pele e pela respiração, a sudorese excessiva e a insuficiente ingestão de água, por rejeição nos casos de estomatite ou infecção de garganta.

A criança fica desidratada porque perde muito líquido e não consegue repô-lo em quantidade suficiente. Em outras palavras, ela fica com um déficit de líquidos e de eletrólitos, como o sódio e o potássio.

O principal sintoma da desidratação é a sede. A boca fica seca com pouca saliva. O volume de urina também diminui e a coloração pode se tornar amarela escura e com cheiro mais forte do que o habitual. As crianças rapidamente ficam com os olhinhos fundos e muitas vezes, ao chorar, elas não apresentam lágrimas. A pele fica mais seca. Os pequenos em processo de desidratação ficam mais quietos, sonolentos e prostrados, sem disposição para as habituais brincadeiras e travessuras. Algumas vezes, podem também ficar mais irritados. Em bebês, a moleira pode se apresentar mais funda que o normal.

O pediatra avalia estes sinais e sintomas e indica o tratamento mais apropriado para cada situação.

Nas desidratações leves, o tratamento por boca, com oferta de líquidos é suficiente para deter o processo de perda de água pelo organismo. Porém, dependendo da intensidade da perda de líquidos, uma criança pode ficar desidratada em poucas horas. Nestes casos, o pediatra poderá detectar a necessidade de hidratação com soro via endovenosa.

Com o verão chegando, para prevenir a desidratação, medidas simples podem ser adotadas. Os pais devem estar atentos à temperatura ambiente, evitando exposição excessiva ao calor, oferecendo líquidos com freqüência e vestindo as crianças com roupas leves.






terça-feira, 22 de novembro de 2011

Manchas de nascença





Manchas de nascença chamam muito a atenção dos pais. Será que é algo sério? Vai sumir? É preciso fazer algo? Estas são as perguntas mais frequentes dos pais ao trazerem seu bebê à consulta. Mas, a grande maioria destas marcas não representam problemas e tendem a desaparecer com o tempo. Vamos entender um pouco mais sobre as manchas mais frequentes e quais casos merecem cuidados maiores.


Hemangiomas




Os hemangiomas podem ser de dois tipos: hemangioma plano ou hemangioma cavernoso (que cresce mais internamente na pele, como este da foto). Eles ocorrem devido a um crescimento exagerado das células que envolvem os vasos sanguíneos. Os hemangiomas podem estar presentes já ao nascimento ou se desenvolver quando a criança tem algumas semanas ou meses. Eles são cinco vezes mais frequentes em meninas do que em meninos. Muitos podem ser quase imperceptíveis, enquanto outros podem ser bastante grandes. Os hemangiomas tendem a crescer principalmente durante o primeiro ano de vida e, após este rápido crescimento, vão regredindo gradativamente, até desaparecerem. Na idade de 10 anos, 90% das crianças que tinham hemangiomas, já não possuem mais a marca. O tratamento para os hemangiomas, em geral é nenhum, pois eles regridem com o tempo. Porém, se o hemangioma estiver em um local que possa causar dificuldade para a criança enxergar, respirar, ouvir ou comer, pode ser necessário o uso de laser e cirurgia combinados. Atualmente está em uso uma medicação chamada Propranolol, que originalmente é utilizada como anti-hipertensivo, para os casos de hemangiomas cavernosos, pois observou-se que esta medicação ajuda ne regressão dos hemangiomas. Para este tratamento, a criança deverá ser acompanhada pelo médico, que fará uma avaliação cardiológica prévia para a utilização da medicação. Os resultados têm se mostrado excelentes.


Mancha do bico da cegonha



Por volta de 70% das crianças nascem com manchas róseas que podem se localizar frequentemente na nuca (a cegonha pega a criança com o bico na nuca, daí o nome) e, também aparecem com frequência nas pálpebras e na testa do bebê (neste local são conhecidas como "beijo de anjo"). Elas têm bordas irregulares e desparecem com a pressão dos dedos sobre elas. São decorrentes de uma dilatação de capilares da pele e desparecem até um ano e meio de idade. São absolutamente inofensivas e não é necessário se fazer nada com elas.


Manchas vinho do porto



Menos de 1 % dos bebês nascem com estas manchas, que são mais frequentes na cabeça e no pescoço. Elas têm cor rosa choque ou vermelha, podem ser bastante grandes, tomando quase metade da face e não desaparecem sozinhas. Estas manchas podem estar associadas a glaucoma, quando ocorrem ao redor dos olhos e , algumas vezes, podem também fazer parte de uma síndrome neurológica chamada Sturge-Weber. Desta forma, crianças com este tipo de mancha, necessitam de avaliação neurológica e oftalmológica. Quanto ao tratamento da mancha em si, o laser é indicado o mais rápido possível, ainda no primeiro ano de vida, pois, desta forma, traz melhores resultados.


Manchas café com leite



São manchas de cor marrom claro, lembrando mesmo a cor de café com leite. Aproximadamente 10 % dos bebês têm uma e ela não desaparece. Estas manchas propriamente ditas, não trazem problemas, porém, se uma criança tiver três ou mais manchas café com leite, ela deverá ser avaliada para se descartar uma doença genética chamada Neurofibromatose-1. Uma em cada 3000 pessoas no mundo tem esta doença, que pode causar problemas neurológicos, anormalidades oculares e ósseas.



Mancha mongólica



São manchas cinza-azuladas, presentes ao nascimento, com bordas irregulares e que se localizam principalmente na região do bumbum do bebê. Seu tamanho pode variar de pequenas até muito grandes e tendem a durar alguns anos, até desaparecer. São decorrentes de um acúmulo de melanócitos, ou seja, células de pigmentação. Não é necessário se fazer nada, pois elas sumirão mais cedo ou mais tarde.



Pintas



Por volta de 2% dos bebês nascem com pintas pequenas, de cor marrom escura, chamadas nevos. Aquelas que têm tamanho maior de 5 cm são consideradas grandes e ocorrem em menos de 1 em cada 100.000 bebês. Podem ocorrer em qualquer local do corpo e não desaparecem. O risco de uma pinta pequena se tornar cancerígena é mínimo, porém as pintas consideradas grandes necessitam um acompanhamento mais de perto, pois este risco sobe para 4%. Há nevos gigantes, que tomam superfícies grandes do corpo, cujo tratamento é cirúrgico e, frequentemente complicado pois necessita enxertos para cobrir a pele retirada.







sábado, 19 de novembro de 2011

Diarréia aguda em crianças




A diarreia aguda é uma doença freqüente em crianças. Caracteriza-se pelo aumento do número de evacuações com perda de consistência das fezes, que se tornam mais amolecidas e algumas vezes, podem ter presença de muco, sangue, gordura ou pus. A diarreia aguda pode estar acompanhada ou não de vômitos e febre. É caracteristicamente auto limitada, ou seja, o próprio organismo se encarrega da cura em poucos dias, mas pode durar até 2 semanas.

Durante este período, o mais importante é manter uma alimentação adequada para a criança e oferecer muito líquido para prevenir a desidratação, que é a complicação mais comum da diarreia aguda.

As causas mais freqüentes da diarreia aguda são as infecciosas e dentre os agentes, os mais comuns são: vírus, bactérias, toxinas alimentares e parasitas.

Muitas medidas são efetivas para evitarmos as diarréias na infância. Nos bebês, ajuda muito manter o aleitamento materno exclusivo, até o sexto mês de vida. Nas crianças maiores, ao se introduzir outros alimentos é importante tomar cuidados como a adequada lavagem das mãos, e utilizar sempre água filtrada ou fervida na higienização e preparo dos alimentos. A vacinação contra rotavírus também ajuda a criança ficar protegida contra este agente muito comum nas diarréias agudas.

O uso de antibióticos no tratamento das diarréias é controverso, mas raramente é necessário usá-los na diarréia aguda. A grande maioria das crianças apresenta uma condição clínica estável e não necessita de antibióticos. Apenas em algumas situações em que as evacuações se apresentam com sangue (diarréias disentéricas) e dependendo do estado geral da criança, o pediatra poderá indicar o uso de antibióticos. Também algumas verminoses, quando comprovadas, necessitam de tratamento específico.

Existem vários medicamentos chamados "antidiarréicos”, mas nenhum deles deve ser utilizado, pois alem de não oferecerem vantagens, podem causar efeitos colaterais indesejáveis. É importante lembrar que a diarréia é a forma que o organismo tem de eliminar as toxinas ou bactérias e vírus que estão agredindo o organismo, desse modo, trata-se de um mecanismo de defesa. Estes microrganismos precisam ser eliminados, do contrário, podem levar à invasão do intestino com quadros graves de generalização da infecção. O problema é que o organismo elimina estas toxinas junto com elementos que são necessários para o nosso funcionamento, como água e nutrientes, por isso a reposição de líquidos e a manutenção da alimentação adequada é fundamental para o retorno do funcionamento normal do aparelho digestivo.







terça-feira, 15 de novembro de 2011

Meningite viral



Qualquer pessoa pode ter uma meningite viral, mas ela é muito mais frequente em crianças. Estamos em novembro e, a partir de agora, começamos a ter mais casos de meningite viral, pois ela acontece mais nos meses de final de primavera e início de verão.

Meningite é a inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ocorrer devido a infecções causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas. A meningite causada por vírus, ou seja, a meningite viral, é a forma mais frequente e pode ser causada por muitos vírus diferentes.

Apesar de ser uma infecção séria, a meningite viral raramente é fatal ou deixa sequelas, em pessoas com boa imunidade, ao contrário da meningite bacteriana, cuja taxa de mortalidade é alta e as sequelas costumam ser graves.

Em aproximadamente 90% dos casos de meningite viral os causadores são os enterovírus, que vivem nas células intestinais, no nariz e na garganta. Há aproximadamente 80 tipos destes vírus, sendo os dos grupos Coxsackie e Echovirus os maiores causadores de meningite viral. Na maioria das vezes, as infecções por estes vírus ou não causam nada ou causam sintomas leves como coriza, dor na garganta e febre baixa. Menos de 1 em cada 1000 pessoas infectadas por enterovírus desenvolverá meningite viral.

Os sintomas de meningite viral são febre alta, náusea e vômito e, o que chama muito a atenção, a forte dor de cabeça. Em crianças menores, que não sabem falar o que sentem, além da febre e dos vômitos, há recusa em comer, prostração e, algumas vezes, irritabilidade.

Ao exame físico há a rigidez da nuca, que chama a atenção do médico para o possível diagnóstico. O período de incubação é de 3 a 7 dias (período entre o contato e o início dos sintomas). A duração da doença é de 7 a 10 dias e a pessoa infectada transmite o vírus desde o início dos sintomas até o final deles. Quando se suspeita de meningite, o diagnóstico é feito através da análise do líquor (líquido que banha as meninges e o cérebro). O líquor é obtido através de uma punção nas costas e é analisado, sendo identificados o número e o tipo de células, bem como a presença ou não de bactérias. Neste exame não são identificados vírus e o diagnóstico de meningite viral acaba sendo feito pela análise das características do líquor, bem como pela ausência de bactérias.

Não há tratamento específico para a meningite viral, utilizando-se apenas medicamentos para controlar a febre, os vômitos e a dor de cabeça. Em alguns casos mais leves, nem mesmo é necessária internação.

Por ser uma doença causada por vírus que se transmitem através da saliva, secreção nasal e fezes, sua prevenção se dá principalmente através de um ato muito simples: lavar as mãos. Lavar as mãos após utilizar o banheiro, após assoar o nariz ou trocar as fraldas de uma criança. Ao espirrar ou tossir, cobrir a boca e o nariz. Se desejar veja o post sobre lavagem das mãos http://pediatrio.blogspot.com/search/label/como%20lavar%20as%20m%C3%A3os





sábado, 12 de novembro de 2011

Teste do pezinho




O que é?

O teste do pezinho, também conhecido como triagem neonatal é um exame que permite o diagnóstico precoce de várias doenças congênitas e, em alguns casos, infecciosas também. Como estas doenças são geralmente assintomáticas no período neonatal, o teste permite a detecção e o tratamento precoce impedindo ou diminuindo a chance de ocorrerem seqüelas irreversíveis na criança. O momento ideal para a coleta do teste está entre o 3º e 7º dias de vida, porém em situações especiais, pode ser coletado até o 30º dia de vida.

Por que se chama “teste do pezinho”?

A coleta de sangue é realizada por meio de uma punção (picada) no pezinho do bebê na região do calcâneo, com uma lanceta. O sangue é então coletado gota a gota sobre um papel de filtro, preenchendo a área de círculos que estão desenhados no papel, como mostra a figura. Após a secagem do papel, o material seco é encaminhado para o laboratório. Esta forma de coleta é mais fácil e prática do que uma punção venosa, permitindo a coleta e encaminhamento do material de todas as regiões do Brasil.



Existe mais de um tipo de “teste do pezinho”?

O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) oferece o teste gratuitamente para todas as crianças nascidas no Brasil. Dependendo da região do Brasil, o teste básico oferece um mínimo de 2 doenças (hipotireoidismo e fenilcetonúria) até o máximo de 4 doenças. O teste oferecido no estado de São Paulo, inclui 4 doenças: hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria, hemoglobinopatias e fibrose cística.

Os laboratórios particulares incluem a investigação de outras doenças, além das 4 citadas, não havendo uma regra para a designação destes “pacotes” de exames oferecidos pelas maternidades particulares. Desta forma, vocês verão nomes como: teste ampliado, teste master, teste plus, teste mais, teste super, dentre outros. Estes testes ampliados não são gratuitos e, de uma forma geral, incluem a investigação de várias doenças metabólicas e algumas doenças infecciosas.

O que faço se o “teste do pezinho” detectar alguma alteração?

O “teste do pezinho” é apenas um teste de triagem e isto quer dizer que, algumas vezes, podem ocorrer resultados “falso positivos”. Sendo assim, um resultado alterado não implica no diagnóstico definitivo de qualquer uma das doenças testadas. Nos casos de resultados alterados, o centro responsável pela coleta solicitará aos pais ou responsáveis a realização de testes confirmatórios. Geralmente, as doenças pesquisadas são assintomáticas no período neonatal, isto quer dizer que, mesmo no caso de bebês portadores destas doenças, a sua aparência poderá ser normal, portanto, não demorem para realizar os testes confirmatórios quando necessários. Com o tratamento precoce, evitaremos seqüelas indesejadas nos bebês.

O que faço se houver a confirmação da doença pesquisada no “teste do pezinho”?

Dependendo da doença, pode-se obter orientação e acompanhamento nos Serviços de Referência em Triagem Neonatal, por exemplo, a APAE de São Paulo, ou buscar a orientação de especialistas. Converse com o seu pediatra, ele poderá fazer os encaminhamentos necessários.

Há tratamento para as doenças detectadas no “teste do pezinho”?

No caso do hipotireoidismo congênito, o tratamento se baseia na reposição do hormônio tireoidiano, sendo que as doses devem ser personalizadas e supervisionadas por um endocrinologista.

No caso da fenilcetonúria há a necessidade de uma dieta especial, com restrição de proteínas em geral. Em alguns casos, será necessário suspender o leite materno e substituí-lo por um leite especial com baixos níveis de fenilalanina.

Para as demais doenças, há orientações específicas a serem feitas, sempre com o objetivo de evitar ou reduzir eventuais problemas futuros. Vocês poderão conversar com o seu pediatra ou procurar orientações nos Serviços de Referência em Triagem Neonatal.














quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Convulsão febril








Convulsão febril é uma convulsão que ocorre em crianças pequenas, sendo desencadeada por uma rápida elevação na temperatura, causada, na maioria das vezes, por uma infecção.

É uma experiência muito angustiante para qualquer pai ou mãe, ver seu filho tendo uma convulsão febril e, a duração de segundos ou poucos minutos, pode se tornar uma eternidade para quem a está presenciando.

Felizmente, a convulsão febril não é tão perigosa quanto parece e, na grande maioria das vezes, não indica a existência de uma doença grave por trás. Porém, quando uma criança apresenta uma convulsão febril, é importante que seja avaliada pelo seu médico ou em um serviço hospitalar.

A convulsão febril é relativamente frequente, ocorrendo aproximadamente em uma em cada 25 crianças com idades entre 9 meses e 5 anos. Não é esperada uma convulsão febril em um bebê menor de 6 meses e é rara a ocorrência após 3 anos de idade.

Um dos fatores de risco mais importantes é o fato de um dos pais terem tido convulsão febril na infância. Isto aumenta bastante a chance da criança ter uma convulsão febril.

A maioria das convulsões febris ocorre nas primeiras 24 horas de doença e, não necessariamente, quando a febre está no seu pico mais alto. É muito frequente não haver ainda nenhum sinal de doença ocorrendo. O exame físico, muitas vezes associado a exames de sangue e urina pode indicar a causa mais provável da febre. Na grande maioria dos casos, as doenças virais típicas da infância são a causa principal. Algumas vezes, doenças bacterianas como otites ou amigdalites também podem estar por trás da febre. Porém, sempre que há convulsão na vigência de febre, o médico deverá descartar a meningite, que é menos comum, porém muito grave. Se há alguma suspeita desta doença, será solicitado um exame de líquor.

A criança que tem uma convulsão febril, em geral apresenta os seguintes sinais:

- Febre alta, em geral acima de 38,9ºC

- Perda de consciência

- Bate os braços e pernas em movimentos rápidos e repetitivos, dos dois lados do corpo

- Vira os olhos

- Tem a respiração dificultada

A criança pode urinar durante a convulsão e poderá ocorrer sonolência após o término da mesma. A convulsão febril pode durar de alguns segundos até 10 minutos. Convulsões febris que duram além de 15 minutos e ocorrem mais de uma vez em 24 horas, são consideradas mais sérias.

A principal complicação de uma convulsão febril é ela ocorrer novamente. Por volta de um terço das crianças que apresentam uma primeira convulsão febril terão novas convulsões em outros episódios de febre.

As convulsões febris não causam qualquer dano ao cérebro da criança, nem afetam seu aprendizado. Também não são indicadoras do desenvolvimento de epilepsia. Se uma criança que teve convulsão febril vier a desenvolver epilepsia, não será por causa da convulsão febril.

Durante uma convulsão febril, os pais devem procurar manter a calma e:

- colocar a criança em uma superfície plana, sem haver o risco de queda

- remover qualquer objeto cortante ou perigoso de perto

- retirar roupas que estejam apertando a criança

- não interferir com os movimentos da criança

- não introduzir nada em sua boca

- se possível, tentar contar o tempo de duração da convulsão

Em geral, os médicos não utilizam medicamentos anticonvulsivantes para convulsões febris, pois estes medicamentos costumam apresentar alguns efeitos colaterais, que podem acabar interferindo no dia a dia da criança, por exemplo, provocando sono.

O que alguns médicos preconizam, é o uso de medicamentos somente durante as doenças febris, suspendendo sua utilização quando já não há febre durante 24 horas, até que a criança esteja maior e já não tenha mais risco de convulsão febril.

A seguir há um vídeo mostrando uma criança com uma convulsão febril. É angustiante de se ver, mas dá uma boa idéia do que ocorre. Note que os menos de 50 segundos, parecem durar muito mais do que realmente duram.














sábado, 5 de novembro de 2011

Soluços

Ilustração: Claudia Marianno

Separando o tórax e o abdômen existe um músculo chamado diafragma, que tem papel fundamental no mecanismo da respiração, permitindo a entrada e a saída de ar dos pulmões.

Quando sofre algum tipo de irritação, o diafragma contrai de forma involuntária, dando origem ao soluço, fenômeno idêntico no adulto e na criança. Os desencadeantes deste processo podem variar de acordo com a idade.

Nos recém-nascidos e bebês bem pequenos, os soluços acontecem de forma muito freqüente e repetitiva. A causa para este fato não é bem conhecida e a explicação mais aceita para o desencadeamento do soluço nos bebês seria a ingestão muito rápida do leite. Além disto, sabe-se que o refluxo do conteúdo ácido do estômago para o esôfago irrita o nervo frênico, que provoca contrações do diafragma, ou seja, os soluços. O refluxo está presente nos bebês de forma bastante acentuada e acaba desencadeando soluços freqüentes.

Observa-se que os soluços do bebê ocorrem principalmente após mamar ou após arrotar, provavelmente devido ao refluxo. Os soluços não causam incômodo na criança, mas incomodam muito os pais. Não é necessário fazer nada para eliminar os soluços do bebê, pois eles costumam passar logo e, conforme a criança vai crescendo, eles vão se tornando menos freqüentes.

No caso de soluços persistentes, juntamente com sintomas de choro, irritabilidade ou regurgitação intensa, o pediatra deverá ser comunicado, pois podemos estar diante da doença do refluxo gastroesofágico, sendo necessário tratar a criança. Este fato é bastante importante também em crianças maiores, que podem ter a doença do refluxo sem vomitar ou regurgitar. São crianças que apresentam soluços freqüentes sempre após as refeições, muitas vezes acompanhados de dificuldade para comer, com interrupção precoce da refeição, referindo freqüentemente dor na barriga. Estes casos merecem atenção e tratamento, o que ajuda muito a melhorar os sintomas.








quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Xixi na cama



A capacidade de se conseguir segurar o xixi durante a noite acontece de forma diferente daquela durante o dia. Enquanto a continência da urina diurna ocorre por volta de dois a três
anos de idade, a continência noturna pode levar até cinco anos.

Ao passo que a retirada da fralda durante o dia ocorre com o incentivo e visitas ao banheiro quase de hora em hora, durante a noite o processo é exatamente o contrário, ou seja, só retiramos a fralda noturna quando a criança começa a acordar seca por vários dias seguidos.
A continência da urina durante a noite ocorre por vários mecanismos neurológicos que amadurecem, permitindo que isto ocorra. Um destes mecanismos é a ocorrência de um pico de hormônio antidiurético no período noturno, o que faz cair a produção de urina, permitindo que haja continência durante a noite. Este aumento de hormônio à noite acontece em tempos diferentes de uma criança para outra, levando mais tempo em algumas e menos tempo em outras. É por este motivo, absolutamente incontrolável, que não adianta tirar a fralda para a criança segurar o xixi e sim, tirar quando ela já não estiver urinando mais à noite.

Quando o seu filho estiver iniciando a saída das fraldas, é quase certo que "acidentes" ou escapes vão ocorrer. Xixi na cama geralmente não está associado a distúrbio físico ou emocional.

Se ocorrer um escape e xixi na cama, explique para sua criança que você entende e sabe que não é culpa dela. Evite oferecer líquidos durante duas horas antes da criança dormir.

A incontinência de urina durante a noite, após cinco anos de idade é chamada enurese noturna. Praticamente todas estas crianças conseguirão superar este problema até a adolescência. Entre os tratamentos estão o uso de alarmes sonoros, a administração de hormônio antidiurético em comprimidos ou sprays nasais ou até mesmo a utilização de neurolépticos, prescritos pelo pediatra ou por um urologista.









domingo, 30 de outubro de 2011

Ácaros do pó: como evitá-los






Dando continuidade ao assunto ácaros, que iniciei com o post Ácaros do pó: dormindo com o inimigo (http://pediatrio.blogspot.com/2011/09/acaros-do-po-dormindo-com-o-inimigo.html) falarei um pouco sobre como evitar estes “inquilinos” que insistem em morar em nossas casas. Veja bem, eu disse EVITAR. Infelizmente não há como dizer eliminar, pois é praticamente impossível livrar-se completamente dos ácaros.

Os ácaros se desenvolvem muito bem em ambientes úmidos (acima de 50% de umidade relativa), com temperatura ideal em torno de 25°C. A presença de poeira e fungos é essencial para sua sobrevivência, além da descamação da pele humana, que é seu alimento. Conhecendo bem seu habitat e suas necessidades, fica mais fácil combatê-los.

Sol, muito sol



Os ácaros não toleram ambientes com bastante sol. Desta forma, os alérgicos devem dormir, de preferência, no quarto que mais recebe sol na casa. Deixar o colchão no sol pelo menos uma vez por semana ajuda muito a diminuir a população de ácaros que nele habita. Além disto, o colchão deve ser aspirado, assim como a cama e o estrado.


Controle da umidade

Se há sol, normalmente não há umidade em excesso. Porém, quando há pouco sol no quarto, o ambiente torna-se altamente propenso ao desenvolvimento de ácaros. Deve-se lembrar que, dentro de casa produz-se vapor principalmente com o chuveiro e com o cozimento de alimentos. Portanto, o uso de umidificadores deve ser restrito apenas aos dias de umidade muito baixa, menor de 40%, sob pena de se facilitar o desenvolvimento de ácaros. Em ambientes muito úmidos permanentemente, podem-se utilizar desumidificadores, que ajudam a diminuir o mofo e o número de ácaros.

O uso de filtros de ar (como Sterilair, por exemplo) não contribuem de forma alguma para diminuir o número de ácaros no quarto, por um simples motivo: os ácaros são pesados e não voam e não alcançam, portanto, o filtro de ar. Por isto, não jogue dinheiro fora.

Eliminação da poeira

Quando se varre um ambiente, a poeira em suspensão no ar leva duas horas para sedimentar novamente. Mesmo com o uso de aspiradores, uma parte da poeira volta para o ambiente (a menos que se usem aspiradores que utilizam água ao invés de saquinhos para reter a poeira aspirada). Não se deve limpar o quarto com a criança dentro dele e, de preferência, não limpar à noite.





Os principais depósitos de poeira são os carpetes, as cortinas, as almofadas e os bichos de pelúcia.

É praticamente impossível eliminar a poeira de um carpete, por mais que se aspire. Portanto, a recomendação é que se utilizem pisos frios ou de madeira, que não acumulam pó e permitem uma limpeza completa.

As cortinas devem ser leves e retiradas mensalmente para lavar. Cortinas pesadas, além de reterem mais pó, são mais difíceis de serem mantidas limpas.

Utilize edredons ao invés de cobertores. Os cobertores (mesmo os que se denominam antialérgicos) acumulam mais pó.

O uso de almofadas no quarto só aumenta a população de ácaros, principalmente se elas foram mantidas na cama. De preferência, não usar almofadas no quarto e, assim que possível, retirar os protetores de berço, pois também são habitados por ácaros.

Os bichos de pelúcia devem ficar afastados do berço ou da cama. Mas, muitas crianças insistem em dormir com um deles. Desta forma, alguns cuidados devem ser tomados, como por exemplo, lavar os bichinhos de pelúcia em água quente, a cada quinze dias ou, se não tiver água quente, coloque o bicho de pelúcia no freezer durante 24 horas e, depois, lave-o. Ácaros morrem com temperaturas muito baixas.



Reduzindo o alimento dos ácaros

Como os ácaros se alimentam de descamação de pele humana, diminuindo suas reservas de alimento, reduziremos a população de ácaros na cama. Para isto, a lavagem da roupa de cama deve ser feita semanalmente, de preferência com água quente, ou passada a ferro.

As capas próprias para colchão e travesseiro os envolvem por inteiro, fechando com um zíper. Por terem uma parte de vinil em sua composição, não permitem a passagem da descamação da pele para o colchão e ou travesseiro. Desta forma, raciona-se a comida dos ácaros, que morrem de fome. São, portanto, bastante úteis nos quartos de indivíduos alérgicos. Um investimento que vale a pena.
















quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Doença da mão, pé e boca



A doença da mão, pé e boca é causada por um vírus chamado coxsackie. Este vírus é altamente transmissível, podendo passar de uma pessoa para outra pelo pelo contato com as secreções do nariz, da garganta e da boca de crianças infectadas. A doença também pode ser transmitida pelo contato com o líquido das bolhas das mãos e pés ou com as fezes de crianças infectadas. As secreções e fezes contaminadas podem ficar na superfície de móveis, objetos e brinquedos e também podem transmitir a doença, portanto, lembrem-se de lavar sempre bem as mãos. Se desejarem, vejam o post sobre lavagem de mãos no link: http://pediatrio.blogspot.com/2011/04/como-lavar-as-maos-cante-parabens-voce.html

Aproximadamente metade das crianças que se infectam com o vírus coxsackie não têm sintoma algum, outras apresentam somente alguns episódios de febre por aproximadamente três dias, sem qualquer outro sintoma. Por outro lado, há crianças que desenvolvem a doença típica da mão, pé e boca.

A doença é mais freqüente na primavera e no outono e acomete geralmente crianças menores de 5 anos.

Após um período de incubação que varia de 4 a 6 dias, aparece a febre que pode ter intensidade variável (em alguns casos, a criança pode não apresentar febre). Após esta fase inicial, aparecem pequenas aftas na boca (estomatite) que causam dor quando a criança engole saliva ou se alimenta. Frequentemente, a criança baba muito e recusa a alimentação nesta fase. A seguir, surgem pequenas bolhas branco-acinzentadas com a base avermelhada nas mãos e nos pés (principalmente na região das palmas das mãos e plantas dos pés). Estas pequenas bolhas não coçam e não doem e podem aparecer também nas nádegas.

Por ser uma doença causada por um vírus, o tratamento é sintomático, ou seja, as medicações são usadas somente para aliviar os sintomas. Em alguns casos graves e raros, a dificuldade de ingerir líquidos pode causar desidratação. Porém, na grande maioria dos casos, as medicações sintomáticas associadas a uma alimentação leve e uma boa ingestão de líquidos são suficientes para que a criança supere a infecção utilizando os recursos de seu próprio sistema imunológico.












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